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quinta-feira, 9 de junho de 2011

TURISMO EMOCIONAL

A necessidade de abandonar padrões tradicionais de sociedade, família e de relacionamentos, e abraçar novos códigos de valores comportamentais, tem-se feito sentir há décadas. Se por um lado tem levado a uma maior abertura das mentalidades e, por consequência, ao alargamento de horizontes pessoais e colectivos, tem por outro contribuído para um dramático crescimento daquilo a que chamaria o turismo emocional.

O que quero dizer com isto é que, seguramente influenciadas pelas chamadas “ideias novas” ou do “Novo Tempo” que com frequência difundem de forma obsessiva conceitos de poder pessoal, as pessoas desenvolveram um falso sentido de invencibilidade e creem-se capazes de se concentrarem de forma bem sucedida num numero interminável de outros seres.

O autor e terapeuta Wayne Muller chama a nossa atenção para o facto do ser humano, durante a sua curta residência ma Terra, dispôr de uma energia pessoal limitada e não poder amar bem, de forma responsável e estruturada e com continuidade (portanto construtivamente) no tempo mais do que uma meia dúzia de pessoas, mais coisa menos coisa. “Quantos ovos cabem numa mão? Se insistirmos em colocar mais do que o espaço disponível, os ovos começarão a cair e a partir” diz-nos Muller no contexto do seu célebre princípio Enough is enough.



Ninguém pode construir nada de sólido com as almas mais importantes da sua vida, se adoptar a perigosa atitude de se tentar concentrar em demasiados seres, pois alguém vai sobrar, ser descuidado, esquecido, mal amado, relegado (ainda que temporariamente) para um lugar secundário que lhe não pertence. Isto não significa que não devas cultivar uma disponibilidade interior para ouvir e atender os outros, dar de ti o que for possível em cada situação. Mas “entregares-te” de corpo e alma a cada novo caso que se te apresenta, em detrimento da atenção e dos cuidados que os principais “contratos de alma”, com os quais a este planeta chegaste, te devem merecer, conduzir-te-á, irremediavelmente, a uma destruturação emocional, à perda de relacionamentos-chave na tua vida e ao vazio.



Este turismo emocional é hoje muito praticado, principalmente por aqueles que, aliciados pelos frequentemente mal passados “novos conceitos”de postura na vida, saltitam de ser para ser, “em busca da última moda”, como diria o Bocage. Notória esta prática no campo sentimental, onde actualmente a experimentação é fértil e muito reveladora da pouca maturidade dos que a seguem. Em especial neste aspecto, o sagrado espaço interior reservado à prática do Amor, deve ser preservado a todo o custo para o que de valioso (e necessariamente raro) encontrares na tua vida.”

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