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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

SER RICO


“When I was young I thought that money was the most important thing in life;
now that I am old I know that it is.”
OSCAR WILDE

Ser rico é, antes de mais, sentir-se rico!

Para que nos sintamos ricos não chega ter uma conta bancária choruda, ser proprietário, herdeiro afortunado ou ganhar o euromilhões. O dinheiro e os bens materiais são apenas uma das possíveis manifestações de riqueza e aqueles podem ou não estar alicerçados na consciência da riqueza. No mundo em que vivemos, muita da riqueza material assim identificada advem da exploração do ser humano por outro ser humano, portanto resulta de se ir no encalço do ganho e do lucro a qualquer custo o que a torna, a meu ver, a sombra da riqueza legítima.

Ser rico começa sempre por uma atitude interior face à vida. Ou bem que já se nasce assim ou é indispensável passar por uma depuração interior de enormes proporções para que o ser se livre da turbulência do diálogo interior entre preocupações com dinheiro, medos do desconhecido, fantasiosos cenários apocalípticos e toda uma panóplia de etiquetas, definições, análies e julgamentos que afastam o ser de si mesmo, do seu centro, enfraquecem o seu vigor existencial o qual irradia, por definição, desse bloco puro de potencial e diversidade que cada um de nós representa em última instância.
Sentir-se rico é, antes de mais, viver num estado de friendliness – nunca consegui encontrar noutra língua uma palavra que traduzisse esta de forma adequada – em relação a tudo e a todos. Isto nada tem a ver com certas atitudes fabricadas de “amor incondicional”, muito em voga hoje em dia pela sua conotação espiritual. É um estado de serena graça, de tranquila aceitação da vida tal como ela se apresenta.

Sentir-se rico radica, antes de mais, numa atitude interior expontânea, não pensada, na qual figura um sorriso da alma ante a vida que nos cerca, a beleza do universo, o calor do pouco ou muito afecto de que somos alvo, as oportunidades que se nos apresentam, o pão nosso de cada dia, as experiências difíceis que nos ensinam caminhos mais correctos e a compaixão infinita pelo sofrimento alheio.

Muito está implícito nesta percepção da vida, acima de tudo a Gratidão, uma das forças mais poderosas do universo criativo pois amplia de forma significativa as dádivas que aquele que a experimenta já recebeu. A pessoa que alcançou este estado não permite que a sua força e empenho se debilitem com lixos energéticos. Não consome o seu tempo com observações obsessivas ou pensamentos sombrios. Aprendeu a “passar adiante” dos espectros da desgraça e do falhanço. Sabe que o seu  ser é parte de um todo interactivo e que a qualidade dos seus pensamentos determina as características das produções e dos acontecimentos que se vão apresentando no caminho.
Isto já não tem de ser uma mera questão de fé. O avanço nas teorias dos campos quânticos permitem-nos compreender de forma mais racional como somos deuses criadores do nosso próprio destino. Sabe-se hoje, por exemplo, que as mais ínfimas partículas constituintes da matéria representam flutuações de energia e informação no vácuo quântico onde parece nada haver mas que contem afinal campos electromagnéticos e gravitacionais e partículas de força interagindo entre si. Isto aponta para que a matéria-prima do universo seja imaterial, isto é, uma “não-substância” inteligente e pensante que responde aos impulsos que lhe imprimimos.
Há, por conseguinte, por detrás do cenário tangível da chamada realidade, um vácuo criativo que orquestra a nossa vida através do nosso próprio, e quase sempre inconsciente, comando.
O caminho para a verdadeira Riqueza está inexoravelmente ligado à nossa capacidade de nos ligarmos à inteligência do Universo. Essa rota estabelece-se a partir do puro estado de friendliness acima referido, na aceitação do fluir da vida, na dádiva aos outros e regozijo pelo seu bem e fortuna, na gratidão e comunicação clara, na redistribuição dos meios, na busca empenhada de conhecimento, na integração dos opostos a qual anula o julgamento, nos mistérios do silêncio e na transcendência ao ousar interiormente ser/estar para além de qualquer limite.  Faz-se no caminho para o centro do ser onde reside o poder conducente aos horizontes sonhados e àqueles que nem sequer sonhamos que podemos sonhar.


Cabe a cada um “fazer caminho ao andar” e nada é tão simples como pode parecer pelo texto acima.  O que posso garantir é que apesar dos meus altos e baixos e  passos erráticos, acabo sempre por me ver surpreendida pelos milagres da vida. Indícios da minha riqueza, atrevo-me a sugerir…

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