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segunda-feira, 7 de março de 2016

A DEUSA NO JARDIM DAS HESPÉRIDES


A DEUSA NO JARDIM DAS HESPÉRIDES
Desvelando a Dimensão Encoberta do Sagrado Feminino
no Nosso Território
LUIZA FRAZÃO, 2016, 286 páginas


No momento em que comecei a ler esta obra, fui invadida por uma ressonância íntima que bem conheço. E, à medida que fui avançando na leitura, confirmou-se o sentimento e a emoção de estar perante o resultado de uma investigação a camadas profundas, não  desveladas, da história da humanidade terrestre na qual o paradigma central do patriarcado, vigente há milénios, infligiu feridas profundas, nomeadamente pela masculinização, sob o ponto de vista cultural, social e religioso, dos traços e indícios que o Sagrado Feminino imprimiu à sua passagem.
A obra de Luiza Frazão é um muito importante livro de referências sob este ponto de vista e restitui-nos um sentido de integralidade e de equilíbrio tão necessários no contexto histórico em que vivemos. Na verdade,  por todos os lados afloram à superfície da vida ecos de uma outra ordem de valores, uma espécie de re-acordar de memórias ocultas no fundo de psiques mutiladas que, ante a decadência profunda a  que a vida na Terra chegou, buscam com determinação alternativas mais saudáveis para o futuro. E a autora buscou na memorabilia natural, nos poucos registos na pedra, nas tradições muitas vezes distorcidas e na mitologia,  a recuperação de um sentido novo para a vida, assente no amor pelo natural e descodificação dos seus códigos secretos, na solidariedade, dádiva e compaixão, na paz e na abundância, na celebração da vida e da morte como processo transformacional. As Hespérides do Jardim Dourado que ela localiza no nosso território, representam, cada uma, aspectos fundamentais do legado feminino, englobados na Deusa Cale (palavra que habita, segundo a autora, o étimo de Portugal), a qual a esta parte do mundo preside.

“A Deusa no Jardim das Hespérides” é um acto  imbuído de sinceridade e de busca determinada e paciente de uma verdade maior, até hoje oculta da nossa consciência e, sobretudo, da formatação que nos tem sido abusivamente imposta desde o dia em que nascemos. Um acto criativo e estimulante, restaurador do feminino ancestral e do ritual na vida humana, um acto que merece toda a nossa gratidão!
Mariana Inverno

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