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domingo, 13 de novembro de 2011

A HORA DA DISSIDÊNCIA

Ando pelas artes, a escrita, essas coisas ditas da cultura contra as quais sopram hoje em dia ventos contrários. Nunca foi fácil, mas agora ergue-se com inesperado vigor o negro e barrento muro da situação económica como pretexto para todos os cortes.
Ser culto qualquer dia é capaz de passar a condição subversiva (lembram-se de “Fahrenheit 451” de Ray Bradbury?), a ficção anuncia frequentemente o que há-de vir, uma forma “soft” de nos preparar para o inesperado. Percorre-me um calafrio quando imagino uma sociedade ainda mais ignorante e normótica do que a actual, onde artigos como este poriam de imediato fim à minha vida.
O que é que nós aprendemos, companheiros, neste grão de poeira suspenso no cosmos que é a Terra? Como é que continuamos a consentir que meia dúzia de seres alienados ditem o nosso caminho e a qualidade da nossa vida na Terra?
Não avalizo guerras de nenhum tipo, mas falo de um levantamento interior, determinado e lúcido, em prol do alargamento de horizontes e da expansão da consciência. Um assumir de que albergamos dentro de nós uma soberania esquecida, a luminosa capacidade de recriar a partir dos escombros e das cinzas.
O Espírito nunca se rende. E só com ele podemos em verdade contar para escapar ao destino da fénix que, embora sempre renascida, parece nada aprender pois continua a fazer os mesmos erros que levam à sua destruição cíclica.
As respostas não estão com certeza nos lugares habituais. Historicamente falando, claro. Há que redescobrir a coragem e a tenacidade e subir uma oitava no canto interior. Há que relembrar os conselhos dos poetas, que pelo sonho é que vamos e que se faz caminho ao andar. Se nos queimarem todos os livros, ainda teremos a nossa memória para guardar as palavras. Somos muitos e, como no romance de Bradbury, se cada um de nós memorizar um livro, o conhecimento não se perderá pois resta-nos a partilha que a todos enriquece.
Chegou a hora de pormos fim às guerras e aos conflitos, à separatividade. É a hora da verdadeira Dissidência, o começo do fim das ilusórias diferenças que nos conduziram à insanidade dos dias actuais.
Temos de reaprender a chamar as coisas pelo seu nome pois este é um tempo revelador o qual, malgré nous, tudo traz à superfície. Nem nada nem ninguém podem impedir o cair dos véus pois há um tempo certo para tudo. Este é o de abrir o coração e deixar o Espírito impulsionar os actos, por mais absurdos que eles nos pareçam.
Amén.

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