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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

REGRESSO À INTERIORIDADE


A interioridade é um vasto campo povoado de flores húmidas e desconhecidas e que em si mesma contem o pressuposto daquilo a que chamamos verdade.
Habita-nos, como repositório silencioso de um leque infinito de caminhos em direcção a nós mesmos

As chagas da ignorância e do descuido, as máscaras sociais e o continuado e desconexo ruído exterior impedem-nos a vera entrada no mundo gerador do movimento ascensional.

Não posso julgar a interioridade a partir do que é exterior, impossível proceder à releitura da vida à luz do olhar que se move de fora para dentro.

Assim, ser que me escutas, contempla de novo e outra vez a árvore, a água corrente na ribeirinha, o olhar da criança perplexa. Não penses nada, não queiras coisa alguma, senão percepcionar com os sentidos de dentro a latência da vibração. Confia no que te é interior pois assim serás capaz de transpor os limites da ilusão e reinteriorizar as dimensões da alma.
Segue com fervor os impulsos que daí nasçam pois é fácil que se esvaiam na inércia.

Sente o sopro que passa, os sinuosos contornos do que aparentas desconhecer, empenha-te - corpo, alma, coração, tudo – na educação da subjectividade. Conduz, portanto, para fora aquilo que está dentro,  alheia ao julgamento alheio. Deste modo se nutre a consciência holística que volta a juntar o que o mundo dito real separou.

Regressa à casa que te é própria, rega num gesto amoroso os secretos jardins que alindam as tuas múltiplas caminhadas, permite-te a misteriosa claridade das estrelas,

Tudo isso é o que mais te desejo
Com amor.


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