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domingo, 1 de novembro de 2015

EDUCAÇÃO, TOURADAS E SOLIDARIEDADE


Este é o tempo das grandes incoerências e irresponsabilidades, um tempo em que a consciência colectiva tinha obrigação de já se ter expandido para além dos limites sufocantes que teimosamente ostenta. Dispomos de mais informação que nunca e jamais o ser humano teve ao seu dispor tantos dados sobre si mesmo e a sua vida e a dos seus companheiros de rota – animais e plantas, entre outros – durante a residência na Terra.

Acabo de ter conhecimento que uma escola privada do Alentejo, religiosa e com raízes profundas em Portugal, com muitas centenas de alunos, realiza hoje domingo, 1 de Novembro de 2015, uma “tourada de solidariedade”, na qual participam “6 imponentes toiros”!

Em desespero de causa, escrevo estas linhas, que em nada irão já impedir a realização deste acto bárbaro, mas que proponho sirvam de pretexto para uma reflexão mais alargada e honesta sobre as implicações duma tal iniciativa, por parte da referida escola e das suas grandes responsabilidades na formação das crianças que a frequentam, por parte dos pais que deveriam ter levantado a sua voz de oposição a este exercício e também para a sociedade em geral.

O tempo é, no mínimo de incoerência, pois como é possível ligar levianamente o conceito de tourada com o de solidariedade?! Até aonde chega a ignorância e a irresponsabilidade dos educadores deste país, ao sujeitarem as nossas crianças a um binómio de conjugação impossível, maquiavélico e ultrajante?!
A União Europeia acaba de votar a supressão do financiamento das touradas pois a pressão das vozes que por todo o lado se erguem contra a ilegitimidade das touradas tornou-se inaguentável, mesmo para quem faz por norma ouvidos moucos a estas causas.

Só para refrescar a memória, convém lembrar os dolorosos contornos do espectáculo bárbaro e primitivo, no pior sentido, que são as touradas.
“(O touro), por vezes é sujeito, sem anestesia, ao corte da ponta dos cornos em zona viva, enervada e dolorosa, para que se iniba de marrar com violência.
Por vezes é-lhe aplicada pomada ou pó nos olhos para provocar irritação nesses órgãos e lhe diminuir concentração e visão.
Muitas vezes é agredido antes da tourada com choques por aguilhão eléctrico nos testículos, para o fazer irromper na arena aparentando ser braviamente perigoso, mas, na realidade, saltando de susto e de dor.
A seguir, na lide, é provocado, enfurecido, ferido por farpas, magoado, cansado até ao esgotamento e, em Barrancos de Portugal, até é morto por estocada (ou várias estocadas até acertar).”

Os touros, como todos os animais, acompanham-nos nesta experiência à superfície do planeta e, como manifestação de vida, devem merecer todo o nosso respeito e acompanhamento solidário.  O seu sofrimento, deliberadamente imposto para nosso “entretenimento (?!), tem de ser urgentemente interditado de forma global à escala planetária. A necessidade imperiosa de tal medida tem de ser ensinada às crianças nas escolas, em casa, nos media e por todos os meios à nossa disposição. Mas, sobretudo, diante do que ainda persista dessa prática miserável que são as touradas, abstenhamo-nos de a ligar ao que de melhor existe na existência humana: a solidariedade da vida para com a vida.
As nossas crianças, o mundo de amanhã, merecem esse esforço.


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