Número total de visualizações de página

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

SER REACTIVO

Erik Thor Sandberg, Toehold (2015).

“Todos os erros humanos são fruto da impaciência.
Interrupção prematura de um processo ordenado, obstáculo
artificial levantado em redor de uma realidade artificial.”
KAFKA

É difícil viver. Mas, em geral, ainda é mais difícil conseguir  sustentar com os outros  um diálogo equilibrado, baseado em troca de ideias próprias e onde se faça sentir o respeito recíproco. Entenda-se aqui por “diálogo” tudo o que são laços, relações, comportamentos entre pessoas. Em resumo, interactividade.
Por todo o lado, nos deparamos com gente a reagir  - a defender-se preventivamente ou a acusar com precipitação – e não se passa da cepa torta.
A  reactividade abrupta ao que nos acontece nunca nos permite dar a melhor resposta às questões que a vida nos coloca. Cega-nos, confunde-nos, alimenta conflitos e atritos. Distancia-nos de nós mesmos, ofusca a nossa luz e impede a paz interior.
Reconheço que na minha juventude era muito reactiva. Foi através  de dores, desilusões, perdas e revezes que fui aprendendo, com dificuldade, a dar um passo atrás quando a vida me confronta com os seus desafios, quando o discurso do outro me irrita ou me injustiça ou o seu comportamento constitui uma ameaça, quando não uma traição, ao laço ou ao acordo de qualquer ordem existente entre nós.
Este tipo de transformação pressupõe aceitar a vida e os outros tal como se apresentam. Significa não entrar no jogo erróneo dos egos, pois o nosso comportamento não pode depender da conduta alheia. Ante as dificuldades e as dores, é no silêncio da minha interioridade, longe de comportamentos impulsivos e dos esquemas habituais que sinto, de algum modo, activarem-se misteriosos mecanismos conducentes a soluções e ao apaziguamento interior.
A vida e os outros, mesmo os mais próximos, não são controláveis. Só me posso tentar controlar a mim mesma, na medida do possível, através do auto-conhecimento. Este processo tem-me levado a vida inteira e é só nos últimos tempos que sinto ter alcançado algum sucesso.

Aprender a avaliar as emoções, as nossas e as alheias, através da inteligência emocional, controlar a ansiedade e não alimentar as forças da sombra com as suas congéneres em nós, são pilares fundamentais para a nossa libertação.

Permite-nos o dom da humildade, maior clareza de visão, acaba com a vitimização, nutre em nós a empatia pelo outro e aquele sentir suave e estruturante, perfumado de céus, a que chamamos paz interior.

Sem comentários:

Enviar um comentário