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sábado, 9 de janeiro de 2016

A MULHER QUE EU NÃO QUERO PARA PRESIDENTE



Não costumo escrever sobre temas declaradamente políticos nem pronunciar-me  sobre personalidades activas nesse mundo estranho e enganador que é hoje o da política.
Mas como mulher minimamente consciente e atenta ao que se passa em meu redor, não posso deixar de deitar cá para fora o meu desgosto perante o debate de ontem, entre Maria de Belém Roseira e Marcelo Rebelo de Sousa.

Tendo o panorama dos debates presidenciais, salpicado de alguns personagens folclóricos, sido até hoje um deserto de ideias e de inspiração para os eleitores – muito por culpa dos entrevistadores que não se debruçam sobre os pontos essenciais - o de ontem caracterizou-se, lamentavelmente, por uma queda abrupta de respeito mútuo e de verdadeiro conteúdo.
Uma vergonha, uma exposição da miséria humana, ainda por cima, para minha perplexidade, com uma mulher a começar o debate ao ataque pessoal, na base de detalhes que não interessam ao público, alguém que tem, para mim, o detestável hábito de ir remexer nos baús bafientos do passado a ver se encontra algo com que atacar o outro e traz consigo o mal intencionado apontamentozinho.
Baixeza, falta de elegância pessoal, inveja, revanchismo, chispas a saltarem entre os oponentes, tudo cada vez mais "lavatorial" como dizem os ingleses, et cetera, et cetera.

Não estou a defender Marcelo que, com alguma justificação, se deixou levar na onda. Ele, que tem tido até agora uma postura de estadista, contra-atacou duramente e quase ao mesmo nível. Se me visse naquela embrulhada, eu teria possivelmente feito o mesmo, pois é essa a armadilha da política, das sondagens e da percepção superficial da vida que nos caracteriza cada vez mais.

Gostaria muito de ter uma mulher como presidente, mas não esta. Não me representa, não tem altura  (não me refiro à física, que aliás parece não lhe causar qualquer trauma pois ”sempre tive muitos pretendentes”, afirmação que me dá outro sinal negativo) nem a grandeza de postura e de trato requeridos para primeira figura da nação.
Marisa Matias talvez pudesse, com o tempo, a idade e menos esquerdismo, lá chegar. Por ora, é muito jovem ainda, carece da imprescindível experiência que tudo perspectiva de forma mais equilibrada e está demasiado colada a posições radicais.

Quer se queira, quer não, Marcelo é neste momento o único verdadeiramente presidenciável, aquele que dispõe da experiência, inteligência e elegância pessoal, capaz de representar condignamente este país num tempo tão agitado e incerto como aquele que vivemos. Sabe-se quem é Marcelo, conhece-se Marcelo, se dorme pouco ou muito isso só a ele diz respeito, se por vezes muda de ponto de vista ao longo do tempo, isso é natural, quem o não faz está parado no tempo e não é, por conseguinte, presidenciável.  Marcelo é um homem de consensos, profundamente amado pelos seus alunos, afectivamente percepcionado por milhões de portugueses ao longo de muitos anos. Este último facto, mérito seu, é utilizado descaradamente contra ele, por praticamente todos os outros candidatos, como se de oportunismo se tratasse! Parafraseando o grande Mandela, não há que pedir desculpa aos nossos irmãos menos dotados pela bela cor dos nossos olhos.

Espero sinceramente que os eleitores portugueses, na conhecida baixa auto-estima que os caracteriza, não cometam o erro de não o eleger a 24 de Janeiro. Seria mais um desperdício irreparável, a juntar aos muitos da nossa história…


Ah, meu país de água e dos horizontes  inexplorados, nação de alma mística e dos poetas lamentavelmente esquecidos, como te atraiçoamos cada vez mais, todos os dias...

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