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sábado, 12 de dezembro de 2015

CARTA ABERTA COM AMOR, RECOMENDAÇÕES E OUTROS DETALHES A UMA AFILHADA BEM AMADA



CARTA ABERTA
COM AMOR, RECOMENDAÇÕES E OUTROS DETALHES
A UMA AFILHADA BEM AMADA


Leonor Fini
Bom, já chegou. O esperado dia em que atinges a maioridade, assim se  convencionou.

Antes de mais, rodopiemos de alegria num abraço rotativo, apertado e cálido como só o amor sabe protagonizar. Parabéns, minha doce querida, pelos teus maravilhosos dezoito anos, idade de luz e de esperança, de todas as expectativas em relação à vida daqui para a frente.

Chamas-te Clara porque trouxeste luz aos sonhos da tua mãe. Na verdade tu começaste a existir para mim há muito mais tempo, num brilhozinho aceso no fundo dos olhos dela, um fogacho de sonho, apesar de lhe ser repetidamente dito que não tinha grandes probabilidades de conhecer as alegrias da maternidade, dado o seu problema de saúde. Durante anos, isso pareceu confirmar-se mas, num dia improvável, abraçámo-nos comovidas, ela e eu, ante a confirmação de que chegarias a esta dimensão dentro de uns meses.
Não mais deixei de te abraçar, minha Caganita, longe ou perto, mais embrulhada na problemática da minha vida ou mais disponível para um tête-a-tête.

Hoje, 11 de Dezembro, é uma data convencional, mas pelo nosso amor por ti, ela transforma-se num marco celebratório de uma vida, a tua, que nos trouxe alegria profunda e uma maior união entre todos.

Tive a honra de ser convidada para tua madrinha e foi num ritual de rosas chá e do  teu serzinho recém-chegado a este mundo e engalanado com um vestido de material creme e modelo vitoriano, que me comprometi formalmente, perante uma audiência atenta e comovida, a cuidar de ti e a proteger-te, a passar-te a minha visão do mundo  e mostrar-te os sensíveis contornos da verdadeira beleza e da excelência, a partir do ritual de amadrinhamento, especialmente escrito para ti. Antes disso, porém,  estou bem certa que já a minha alma se havia comprometido há muito com a tua, para mais esta passagem de amor e convívio pelo planeta azul.

Minha querida, não quero soar ex catedra, nem dar-te conselhos que pareçam pomposos e maternalistas.
Mas, como mulher mais velha que muito te quer, vou deixar-te aqui afectuosamente, umas deixas que espero possas honrar, através da tua existência.
·      *Lembra-te, todos os dias da tua vida, que nasceste mulher num tempo em que, pela própria dinâmica da história e de possivelmente certos impulsos cósmicos que o nosso conhecimento ainda não alcança por via científica,  a mulher, o feminino do mundo, a Mãe do Mundo procuram reemergir, após milénios de um obscurantismo que relegou o nosso género para um nível de inferioridade mental, intelectual, social e  até espiritual. Mas fica atenta, Clara: há muitos simulacros de mulher inteira, integral, nos protótipos que proliferam no mundo.
Augusto Gomes
*Para além da busca da independência económica – base sine qua non – concentra-te na tua educação e na aquisição de conhecimento (de preferência por meios não ortodoxos)  e de forma continuada através da vida. Não deixes que entretenimentos de superfície e os sofás deste mundo te distraiam do que deves a ti mesma: tentar compreender o mais possível quem és e ao que vens e honrar cm a tua acção os dons e talentos que são o teu legado.
*Ao mesmo tempo, habitua-te a olhar para dentro de ti, de forma atenta e vigilante, com a coragem indispensável para acolher o teu lado mais sombrio. Ele existe em todos nós e poderá ser um precioso guião para o teu avanço, na sua descodificação residirá a tua maior força, podes crer.
·      *O mundo à superfície do planeta é um lugar cada vez mais perigoso, porque os tempos estão revoltos e tudo parece em radical transformação, sob forças  poderosas e dispares. O medo é um egregor real e em expansão e o único antídoto para tal é a nossa força interior e determinação de reflectir na densidade a grandeza e liberdade do espírito que nos habita.  Sê cuidadosa na tua movimentação, mas não deixes que as acções de uns poucos e a maquiavélica manipulação dos media travem o teu passo. Desbrava novos caminhos, sê original e criativa na vida preciosa de que dispões.
·      * Reclama a tua soberania, sempre, em todos os actos. Não deixes que os outros decidam por ti ou projectem a tua vida, por transferência dos seus próprios sonhos  gorados. Mas aprende a escutar as vozes dos mais experientes, dos que te amam e ajudaram a chegar ao momento actual.  A vida de cada um acaba por ser também o resultado de um longo encadeado de contribuições de uns para os outros, umas construtivas, outras nem tanto assim.  
   *Aprende a aceitar com humildade que sabes pouco de tudo e que, não obstante o aparente grande progresso  científico e tecnológico no mundo,  a humanidade terrestre está ainda na infância do Conhecimento.
·     *Recomendo-te que estejas muito atenta ao desenvolvimento e implementação da inteligência artificial no mundo. Corresponde a um enorme avanço, poderá facilitar imensamente a nossa vida e aliviar muito do sofrimento actual, mas há o grande perigo de vir a controlar  o ser humano, seu criador. Só pela força do espírito, que é preciso a todo custo  fazer baixar à matéria, o caminho poderá prosseguir de forma saudável.
·      * Não creias no amor romântico, na balada ficcionada sobre a fusão  com o outro de quem dependes  para a tua segurança, gratificação.  O outro sem o qual não és nada e que te serve e te subjuga. Vira a página, querida, isso são conceitos de um passado bafiento e de má memória. Só se pode falar de amor quando a unicidade de cada um pode ser preservada em liberdade e se conseguirem ver um ao outro na maior verdade possível e, ainda assim, sem falseamentos nem projecções, quererem partilhar o caminho.
·      *Não precisas de ser mãe para seres uma mulher completa. Mas se for essa a tua opção, lembra-te que será mais o teu comportamento e menos as tuas palavras, o grande referencial dos teus filhos.
*  *Desejo-te, meu amorzinho, dias de grande prosperidade segurança e felicidade pessoal. Quando os viveres, não te esqueças dos teus irmãos mais pobres, mais infelizes, mais sós. Não numa perspectiva de caridade, mas em consequência da consciência profunda de que há muito por compreender no chamado destino de cada um e não nos cabe julgar ninguém. O que de material nos passa pela mãos, durante a nossa estada na Terra, não nos pertence verdadeiramente. Flui apenas através de nós e o nosso verdadeiro poder pessoal revela-se na energia que imprimimos a esse fluir.
*A gratidão é um porto seguro e um garante do retorno da prosperidade e da bem aventurança. Sê grata.
* Faz-te acompanhar por essas companheiras nobres que são a compaixão e a solidariedade para com todos. 
* Cultiva a verdadeira alegria, por oposição à histeria desvairada tão em voga no mundo de hoje. A alegria genuína irrompe da alma e contagia tudo à sua volta com
a luz que lhe é própria.
*Livra-te dos abraços infames, do fingimento e da pretensão e arquiva em definitivo as visões alindadas da existência. Esta é ainda neste planeta uma história de sobrevivência difícil e muito sofrida. A esperança de transmutação reside sobretudo na força do Espírito.
* Lembra-te que só na casa dos afectos poderás encontrar o teu consolo e o bálsamo para as tuas feridas.

      Finalmente, querida, venera sempre a tua mãe que te sonhou e te amou sem limites, através da sua difícil vida. Ela é a representante junto de ti da Grande Mãe, a origem e matriz de toda a manifestação da vida.

Dan Hudson
Quanto a mim, se me conseguires recordar, muito depois da minha partida desta dimensão, como uma suave luz que, à distância ou na proximidade circunstanciais, sempre te acompanhou com amor, então a minha alma terá cumprido o seu papel para com a tua.

Parabéns, minha Clara querida!
Já sabes que podes sempre contar 
com a
Tua
Madrinha





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