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domingo, 25 de janeiro de 2015

MANIFESTO ANTI-VIOLETTA




 Violetta é mau!

Voletta é triste e alienante, provinciano, telenovelesco, gritantemente mediocre.
Violetta é consumismo!

Violetta é o estado do mundo, das mulheres e homens frouxos que deixam os seus filhos beber de mais uma poção que os distrai de si mesmos e lhes impinge as velhas, desgastadas tretas disfarçadas de pseudo-alegria e juventude.

Violetta é mais do mesmo!

É droga barata – perdão, bem cara, mas que um país endividado e em crise se dá ao luxo de pagar.
Violetta é tudo esgotado, a peso de ouro, mais a minha paciência que se esgota também.
Violetta é sarna para a alma, ela é justamente o contrário do que a alma pede para se expressar.

Violetta é estreiteza, manipulação, retrocesso, mentira.

Promover as Violettas deste mundo é pecado, como sempre foi, mas ninguém parece dar por isso.

Violetta é noutra língua, para quem nem a sua sabe bem falar.

Violetta é uma grande negociata!

Violetta é a anti-mulher!

Violetta é a anti-vida!

Abaixo a Violetta! Abaixo quem a promove e a traz cá, não precisamos dela, temos Natália, temos Sophia, temos Amália e mais um ror de exemplos modelares que as meninas de hoje desconhecem por completo, ocupadas como estão com a Violetta sul americana, saída de alguma telenovela barata.

Abaixo a Violetta, abaixo a mentira gigante que vendem aos nossos filhos, abaixo a nossa irresponsável falta de consciência, a entrega ao fácil!

Abaixo a Violetta, abaixo as maquilhagens, os trolleys, as t-shirts, as unhas de gel, as cuecas da Violetta.

Pois Violetta é punição, é aldrabice, é supressão.
Violetta é febre para os tolos, excitação desprovida de razão de ser.

Violetta é o substituto para o sonho legítimo da alegria e da expansão, Violetta só modifica o mundo para pior.
 
Violetta é patrista!

Abaixo a Violetta mas, sobretudo, abaixo o mundo que a consente!










domingo, 11 de janeiro de 2015

JE SUIS CHARLIE - a minha liberdade acaba onde começa a tua




Acompanhei com o horror que é de esperar os acontecimentos em França, com a carnificina na redacção do Charlie Hebdo, os reféns do supermercado da Porte de Vincennes e o saldo de uma vintena de mortos após os assaltos finais das forças especiais num esforço levado a cabo por cerca de noventa mil homens e meios extraordinários para controlar/abater três indivíduos assassinos.
É com emoção  que vejo as multidões francesas e do resto do mundo  manifestarem-se com sinceridade e respeito pelos mortos e pela liberdade de expressão.
JE SUIS CHARLIE, tão reminiscente desse grito de alma, ICH BIN EIN BERLINER, propagado por John Kennedy em Berlim, há décadas, sintetiza completamente o NÃO ao medo e a determinação das pessoas em continuarem as suas vidas com normalidade, preservando aquela que é considerada uma das maiores conquistas das sociedades democráticas: a possibilidade de cada indivíduo se expressar livremente e de forma diferenciada relativamente à norma.
Je suis Charlie mostra a inequívoca possibilidade de as pessoas se unirem estreitamente  e falarem a uma só voz  em torno daquilo em que acreditam. Pena é que sejam necessários acontecimentos desta ordem para que tal ocorra.

Muitos analistas defendem que estas trágicas ocorrências se prendem com um problema de fundo - a inegável intolerância do Islão e a falta de liberdade reinante no seu seio; o vazio de ideais da juventude, muçulmana ou não, a qual acaba em certos casos por ser captada por estas sociedades tribais que lhes prometem o ilusório acesso à glória eterna através da luta por uma causa  radical.

A complexidade dos problemas é grande e a sua análise não cabe, numa simples crónica como esta. Mas gostaria de aflorar um aspecto menos tratado, nestes dias de forte carga emocional.
O Charlie Hebdo é um jornal semanal satírico de esquerda, com uma tiragem de 30.000 cópias, que sobrevive desde os anos 60 – descendente que é do Hara-kiri Hebdo - e que, com os seus cartoons irreverentes e desafiantes, tem disparado em todas as direcções – judeus, cristãos, muçulmanos e politicos mundiais e causado reacções de grande indignação, em especial entre os muçulmanos, com incidentes de gravidade vária que agora cuminaram com o fatídico assalto à mesa da redacção do Charlie Hebdo.
A sátira, que vem em geral imbuída de ironia e de sarcasmo, é a linha forte das caricaturas pelas quais o jornal se tornou famoso no mundo inteiro. Não o costumo ler, até porque não aprecio esta forma de combate nem o recurso ao sarcasmo para criticar abusos e deficiências dos indivíduos e dos sistemas, mas reconheço a grande inteligência subjacente à feitura dos cartoons. Acho, no entanto, que essa mesma inteligência deveria servir para impôr limites à ridicularização abusiva de, por exemplo, figuras como as do Profeta Mohammed, um ser sagrado para os muçulmanos.
Não tenho qualquer dúvida que actos e excessos de certas minorias muçulmanas, radicalizadas e ligadas ao passado, fortemente influentes, devem ser combatidas com determinação, mas tenho as maiores dúvidas que seja pela via que o CH elege que bons resultados serão alcançados.
A hora que se vive é emotiva e de união entre os povos do ocidente. Paris tornou-se no dia de hoje, nas palavras de Hollande, a capital do mundo, com a mega manifestação que aí se realiza nesta tarde de domingo. A liberdade de expressão está garantida ao que parece, mas tem de ser exercida com responsabilidade e bom senso. E é bom que estejamos atentos aos aproveitamentos politicos da situação.
Afinal, o que nos importa é avançar como humanidade, não ferir as sensibilidades alheias, em especial quando estão em jogo mentalidades limitadas  e redutoras, rascunhos grotescos de seres humanos obcecados com  dogmas e tacanhas noções do que é sagrado.
Pois sagrada, sagrada é a vida e todo o seu incrível potencial, e a vida acaba num décimo de segundo, sem possível apelo nem retorno, debaixo do fogo assassino dos provocados pelos cartonistas do Charlie Hebdo.

Quer se goste ou não, todas as liberdade são para ser exercidas com limites. A minha acaba onde começa a tua.





segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A FLOR DO CARDO


Esta é a hora certa de toda a incerteza futura.

Pois ninguém sabe ao certo como se agarra a face mais brilhante dos dias por vir, há muitas teorias e experiências-piloto, cada um fala ou faz a seu modo, ou não faz nada, deixa que façam por si…



Parece que devia estar para aqui a festejar, mas tenho frio cá dentro, ainda mais que lá fora – baixou imenso a temperatura. embora o astro-rei tinja tudo de um esplendor momentâneo.

Um dia iniciado no contacto com o desvario, com a perda reconfirmada do que se foi e não mais se será, não será talvez a melhor fonte de inspiração. No entanto, se me fosse dada a escolha, não quereria estar noutro local, esta é a cor da minha lenda pessoal, a que escolhi viver de forma consequente.



Pensei que gostaria de dormir um pouco mais nesta manhã gelada de fim de ano, mas na verdade o que quero é permanecer de olhos fechados, solitária  colhedora interior de exóticas flores neste mar de cardos, neste pantanal lúgubre onde há que reinventar a coerência das horas.



Mas também as coisas em geral deixaram de fazer sentido. As coisas estão a adquirir um sentido novo, mas nem sempre o novo é fiável, pois anda tudo empobrecido.  Ontem ouvi alguém de inteligência incontestável e muito influente eleger o Cristiano Ronaldo como figura do ano. Acima dos Costas, dos Sócrates, do iluminadíssimo Papa, o melhor Relações Públicas que uma igreja decadente e de consciência pesada podia ter contratado. Sobretudo, acima dos que trabalham desinteressadamente na expansão da consciência humana e por tal motivo, pagam o preço da sua inconveniência.

Nada, ou quase nada, faz muito sentido. Mas ainda sou eu, acho. Este é só um momento mau, digo-me. Nem consigo sentir que faço anos, um dia tradicionalmente alegre, em que estas almas com quem partilho a minha passageira residência na Terra me mimam sempre e me fazem sentir que a minha vida é verdadeiramente especial para elas.

É assim que me sinto e não me apetece transmutar nada. Pela primeira vez, possivelmente, estou a viver quase só o momento presente, não me são permitidas projecções brilhantemente transformadoras da realidade, vou fazendo de cada pequeno passo, todos os dias, o centro da minha vida.

Ainda assim, tenho de reconhecer que a flor dos cardos é deslumbrante pois, quando se nos revela, afigura-se-nos um sentido não revelado para o caminho duro.
Many returns of the day! E que os cardos nunca deixem de florir...

domingo, 19 de outubro de 2014

NO REINO DOS MALTRAPILHOS


 

É dramático ver como as pessoas seguem cegamente qualquer onda e, hoje em dia, parece que, quanto mais reles, mais apelativa.


A apresentação de uma pessoa inscreve-se na manifestação do seu ser. Não falo nem de luxos nem de formalismos, refiro-me a um respeito mínimo pela estética e por aquele velho ditado que reza assim: "cada macaco no seu galho"! Torna-se absolutamente patética (e ridícula, a maior parte das vezes) a prática de, em qualquer lugar, se andar vestido como se se estivesse a fazer ginástica, a varrer o jardim ou a sair da praia. Como se tivessemos a idade dos nossos filhos ou quisessemos desesperadamente parecer seus irmãos...
Nos aeroportos, nas ruas, nos cafés, pairam multidões que eu diria de maltrapilhos, gente indistinta, muitas vezes pouco lavada, deselegante e sem maneiras. Estou a falar do mundo ocidental, o dito civilizado!
Lamento muito, mas as confusões na cabeça das pessoas são enormes: fealdade, andar sujo, vestimentas inadequadas (as tais que nos estão uniformizando na aparência como se fossemos apenas rascunhos grosseiros de pessoas) e maneiras pouco polidas passaram a ser "cool" e as pessoas não questionam isto (talvez por que dá trabalho).



A verdade é  que  a sujeira, o barato, o despenteado, por vezes a excentricidade vulgarota tomaram conta do mundo. As banhas são exibidas de forma desleixada, como se os seus portadores nem disso se lembrassem, muito menos tivessem consciência da ofensa estética que causam  a quem não aderiu ao rebanho.

Não gosto, não me identifico, mas isto corresponde a algo, talvez represente simbolicamente a rebelião inconsciente  contra o estado das coisas, de uma certa ordem de valores falsamente arrumada, de uma vida certeira e previsível que já ninguém quer.  Mas como também não se sabe o que se quer, as pessoas vão-se metamorfoseando por fora, de experimentação em experimentação, cada vez mais feias, despenteadas e mal cheirosas.

Para quê mudar de roupa, tomar banho ou passar a escova pelo cabelo se ninguém repara, se andamos todos à balda, se a balda é o que se usa, o que se faz, o que dá menos trabalho…?

E as maneiras, essa mania de dizer por favor, de abrir portas às senhoras (pelo menos às mais velhas), dar o lugar nos transportes públicos ou dizer bom dia e sorrir…? Tudo uma treta, uma pirosada. Não serve para nada.


 Não me conformo, custa-me a aceitar, mas chegámos ao reino dos maltrapilhos. Símbolo de uma decadência profunda e de perda de referenciais a nível colectivo, a aparição desse reino sinaliza igualmente o fim de um tempo a que, inevitavelmente , se seguirá outro, ainda velado para nós.

Convem que nos mantenhamos alerta, que trabalhemos continuadamente na nossa consciência e não nos deixemos apanhar na poderosa onda de moleza e inércia que atravessa o mundo, erroneamente interpretada como moda.



Só passa a eternidade o que é belo, profundo e o que radica na força do espírito, a qual encontra na criatividade humana o seu instrumento de eleição.

Jamais abrirei mão desse tesouro!

O MEU PAI




Foto: Miguel Medalha
Desolada, busco alívio na palavra. Dentro de mim ressoam ecos de Mahler, como se uma fria correnteza de lágrimas silenciosas deslizasse, enfim, por uma rota paralela à dos chakras e redimisse a dor neles alojada.

Ante o conflito e o desencontro de almas obviamente próximas, quisera viajar com eficácia até aos confins dos tempos e compreender as razões do desalinhamento actual. Mas o que está oculto não se quer mostrar, é essa ainda a natureza da manifestação, a imagem aparece refractada nas vastas águas, repositório eterno das experiências da alma.



Álguém, na minha família, se ressentiu que eu tivesse mencionado numa das minhas crónicas que o meu pai escolheu partir desta vida, eufemismo para se ter suicidado, que foi a expressão que  então usei. Quedei atónita ante tal facto!

O meu pai não foi um ladrão, um assassino, um politico vigarista. E se o tivesse sido, continuaria a ser o meu pai e assumi-lo-ia como tal, pois não tive outro. O meu pai foi, na verdade, um homem bom e trabalhador, mas triste e atormentado pelas invisíveis sombras que sobre ele adejavam como abutres e lhe secavam a alegria, o viço e a força de viver. Escolheu partir quando tudo se lhe estilhaçava por dentro e a ignorância geral, oficial e implementada, não lhe pôde valer a não ser com uma etiqueta de esquizofrénico e fármacos que lhe adormeciam os sintomas, o que de nada lhe valeu.


Não compreendo por que eu teria de esconder isto.  O meu pai fez com a sua vida o que conseguiu fazer, faltaram-lhe as forças para a preservar. Isso não me envergonha. Doeu-me muito quando ocorreu há mais de quatro décadas e, durante muito tempo, ao caminhar pelas ruas, dava por mim a esperar encontrá-lo na próxima esquina. Mas sempre respeitei a sua decisão que me ensinou mais do que se possa pensar. Uma compaixão infinita pelas suas secretas dores inundou a minha alma e reforçou o meu apoio à Mãe-coragem que lhe sobreviveu.


Era belo o meu pai, ainda que sombrio e ausente. Complexado pelo que não havia conseguido alcançar na sua difícil vida num estado fascista, atormentado por uma sensibilidade exacerbada e ausência de orientação em como gerir a mesma. Não tinha paz interior, apesar da muralha de força que a sua mulher representava e dos quatro filhos saudáveis e inteligentes. Não sabia como, nem ninguém o conseguiu ajudar a dissipar as trevas que sobre ele se abateram.



Todos escolhemos, no fundo, o que fazer com as nossas vidas. O meu pai pôs fim à sua, na flor da idade, Eu, que herdei dele a fronte abaulada e o coração mole, opto por exorcisar pela palavra o que me vai dentro e tentar disciplinar o coração tenro para que a minha soberania pessoal seja respeitada, O meu parente prefere ostracizar-me, fazer-me desfeitas imperdoáveis, em jeito de “castigo”. Assumo a dor que isso me causa mas rejeito o “efeito castigo”. Nutri sempre por ele o mais profundo afecto mas, antes dele estou eu. Eu, mulher em busca da mulher integral dentro de mim, eu e a minha verdade possível, eu e a minha busca de clarificação, eu e a consciência de que somos o que vamos conseguindo ser, que ninguém é mais importante do que nós e que só ao nosso auto-cumprimento devemos explicações.

Apesar das lágrimas, apesar da vida que é breve e se escoa sem as manifestações de amor que seriam naturais e legítimas,  esse é o meu caminho e a minha opção.



Muito grata, pai, meu bom e partido pai, por tudo o que me ensinaste, aparentemente pela negativa.


sábado, 18 de outubro de 2014

O HOMEM ENSOMBRADO



Mas a sombra se o sol está longe, excede a figura.

A sombra quando o sol está no zênite é muito pequenina

 e toda se vos mete debaixo dos pés.

Mas quando o sol está no Oriente ou no

ocaso, essa sombra se estende tão imensamente, que

mal cabe dentro do horizonte.

(Padre Antônio Vieira -Sermões Pregados no Brasil)



Conheci-o desde sempre, pois não me lembro de mim antes do seu nascimento. Enquanto crescia, foi-se revelando a tendência para a complicação e para o detalhe, a alma feminina sempre a buscar consolo e referências junto da mãe. Também a natureza exploratória, aventureira e uma forma de rir alto, com gargalhadas sonoras e frescas quando algo o tocava pela positiva. Guardava no âmago um coração doce  e ternurento que cedo foi cobrindo com capas protectoras reforçadas.
Bonito e inteligente, vulnerável contudo aos grandes embates emocionais, cedo as dores abriram brechas em níveis mais subtis do ser e por elas se esgueiraram forças alheias que tomou como suas. Começou a sentir coisas estranhas, para além do que a consciência poderia explicar, e tomou-as como naturais.
Tornou-se assim, com o passar dos anos, um homem ensombrado, pois entre si e o sol da vida se posicionaram , com frequência crescente, corpos opacos que o privavam da luz.

O tenro coração, ocultado sob densas capas, bem o tentava impulsionar, mas a luta era desigual pois uma certa arrogância de carácter, resquício negativo do que fora a sua força na juventude, fortalecia as sombras invasivas que o habitavam e lhe manipulavam a mente.

Fomos tão próximos, um dia, sangue do mesmo sangue, sonhos bordados num tempo de aventura e idealismo,  afecto transbordante nos corações dourados de inocência e dádiva.
Passou tudo, resta só a ausência, a aparente indiferença. Ambos receamos as palavras, eu por não saber por quê, ele por achar que sabe bem demais. Ou será o contrário de algum modo, quem sabe.
Sinto que nos perdemos um do outro, que já nada pode salvar o nosso laço, pois a força solar do amor não consegue encontrar expressão no pouco tempo que nos resta na Terra.

Sinto que a Sombra venceu e se estende, ameaçadora, para além do horizonte.

Não importa a explicação. Só o que não teve lugar.
Doiem fundo as lágrimas que não deixo que ninguém veja, afasto-me esvaziada pelo que não pode ser…

Às vezes é preciso reconhecer que a desistência é o único caminho, pelo menos por agora, nesta já longa manifestação na Terra.

De uma coisa estou certa: um de nós irá ao funeral do outro.

sábado, 4 de outubro de 2014

CONVERSAS COM ANIMAIS



 Assisti com gosto ao lançamento do livro “Conversas com Animais” da Marta Sofia Guerreiro, uma médica veterinária “que comunica com os animais e cura os seus donos”. Na pequena cidade de Reguengos de Monsaraz, no ainda mais pequeno centro de apoio educativo que tenta promover novas referências para a educação das gentes. Foi um encontro muito agradável, de vinte e tantas pessoas. A energia de compreensão e amor aos animais foi-se adensando à medida que a sessão, moderada por Felippa Lobato, avançava.

A jovem veterinária falou com simplicidade e em tom amoroso da sua relação com os animais, o muito que lhe ensinam todos os dias e da emocionante dedicação que a maioria deles sente pelos seus donos (cuidadores), estando dispostos a dar a vida por eles.
Seguiu-se a tertúlia, troca de experiências pessoais, gente comovida pela partida recente ou distante de um animal de estimação. Num país onde as audiências são em geral apáticas, fiz e ouvi testemunhos diversos, perguntas, o ênfase sempre posto no respeito e amor com que os animais devem ser tratados e a nossa grande ignorância e falta de reconhecimento ainda pelo papel que estes nossos companheiros de rota desempenham durante a residência conjunta na Terra.

É certo que já vão surgindo, entre os humanos terrestres, núcleos de consciência mais elevada em relação aos animais, mas sinto que ainda nos falta muito colectivamente para um padrão comportamental aceitável nesta área. Ele há-de, contudo, surgir e ganhar força em definitivo com a energia dos novos paradigmas de um Mundo Novo assente nos valores do feminino da alma.

Os factos relatados passaram-se,,como disse, num pequeno centro educativo duma cidade do interior. O produto da venda do livro destina-se integralmente a financiar cuidados com os animais.

A bem de uma Consciência Maior.

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Memória de Einstein (em jeito de poema)
Para os meus netos e todas as crianças do mundo

o meu  cão chamava-se Einstein  
era um animal belo e imponente  
longo pelo louro focinho pontiagudo 
olhos de mel naturalmente maquilhados

o meu cão destilava amor   
o meu cão era a canificação do amor 
até quando ladrava  
amava as crianças e amava-nos a todos 
não largava a Vovó
que o apaparicava às escondidas 
comida sempre fresquinha nada de latas

um dia o meu cão fugiu  
pedia-lhe o corpo o instinto 
andou milhas nas praias próximas 
sabe-se lá em que andanças se meteu 

gritei por ele nas ruas da vila 
ecoava o seu nome de sábio
na minha voz inquieta 
pelas ruas  vielas  à entrada dos prédios 
pelos terrenos baldios  postos de gasolina

nada

um dia voltou pela manhã 
montinho de areia sobre o nariz afilado 
corpo exausto  olhar culpado  
dormiu dois dias a fio  
e nunca mais fugiu

viveu muitos anos  rei do nosso jardim 
até que doente e velhinho 
a uivar de dor noites sem fim 
decidimos que partisse

despediu-se de todos 
arrastado o corpo enfermo
até cada um
o focinho longo e quente
encostado às nossas lágrimas
pela última vez

a memória do meu cão
eleva-me a consciência  

Einstein sumptuosa dádiva  
companheiro incomparável 
não te soubemos reconhecer
devidamente
no teu dia próprio)e instein os reconhecer devidamente no dia prmo atm  decidimos que partissecinho pontiagudo  olhos de mel naturalmente maquilha